Museu da Maré comemora 10 anos com muitos desafios pela frente

Por Miriane Peregrino

Muito o que comemorar por seus 10 anos de existência e muito pelo que continuar lutando também. A ameaça de despejo iniciada pelo Grupo Libra, empresa proprietária do imóvel onde o Museu da Maré está instalado, permanece em vigor e a empresa continua intransigente nas negociações. 

Alunos do curso de comunicação comunitária do jornal o cidadão fazem aula no museu da maré no sábado, 7 de maio.

Alunos do curso de comunicação comunitária do jornal o cidadão fazem aula no museu da maré no sábado, 7 de maio.

Um museu de baixo pra cima

Neste domingo de Dia das Mães, a casa da memória mareense, o Museu da Maré, completa 10 anos. Inaugurado em 8 de maio de 2006 por um grupo de moradores da Maré, no maior conjunto de favelas do Rio de Janeiro, o museu é uma referência nacional e internacional na área de museologia social. Isso não só porque preserva a memória das classes populares mas também por ser uma iniciativa que parte de dentro pra fora da favela, de baixo pra cima, movendo o centro do poder decisório do que é memorável na cidade.

“O museu constrói uma história vista de baixo e que se desvincula da historiografia oficial que é sempre a história dos vencedores, a história que a gente é acostumado a ouvir desde criança” – observa o historiador e morador da Maré, Humberto Salustriano, 37. – “Então, o Museu da Maré é a oportunidade de contar essa história do ponto de vista daqueles que são sempre considerados subalternos, ‘os vencidos’. O museu tem sua importância por causa disso. É uma contra hegemonia”. Continue lendo

Filme sobre comunidade São José Operário é lançado na Escola Padre Butinhá

Por Miguel Pinho

Foto após a exibição do filme

Foto após a exibição do filme

No dia 23/04, no finzinho da tarde, a escola Padre Butinhá recebeu a première do filme Irmão do Morro. O filme fala sobre a história da favela São José Operário, que fica na Praça Seca, através da ótica de seus moradores. O documentário foi produzido por alunos da turma de comunicação popular do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC) de 2015 e dirigido por Bruno Lima, morador da comunidade e também aluno do curso.

Na história aparece com destaque um importante personagem da comunidade, o Padre Frank. O religioso ajudou na organização da comunidade nas reivindicações por luz, água e saneamento básico.  E este é um dos aspectos importantes do filme, que é mostrar a luta dos moradores de São José Operário por dignidade.

Para Bruno Lima, a oportunidade de fazer o filme veio através do NPC para contar a história de vida das pessoas que residiam e residem na comunidade. E mesmo com as lutas da comunidade por seus direitos, ainda hoje a São José Operário enfrenta problemas. “Ainda hoje a gente sofre como há 30 anos com a falta d’água. Você vê pessoas tendo que colocar lata d’água na cabeça para levar água potável para dentro da sua casa.”

O filme é importante como registro histórico. Também mostrar o que existe na comunidade para além da violência e da precariedade, ou seja, que lá existem pessoas sonhando e lutando por um vida melhor. Para o diretor, “as pessoas sabem que o morro é uma área de instabilidade social, extremamente violenta, e no filme a gente mostra que não é só isso, lá também tem moradores trabalhadores. Eles (os moradores) com certeza vão receber bem o filme e vão gostar bastante porque conta um pouco da história deles. Vai ser uma grande festa, porque tudo no São José termina numa grande festa.”

Confira o trailer do Irmão do Morro:

‘Democracia’ é tema de plenária da ENSP, na Fiocruz

12974436_1690936981194078_6551565633506797112_nPor Gizele Martins

Inúmeros movimentos sociais, partidos políticos de esquerda, professores e diretores de universidades e entidades de classe, estiveram presentes na manhã do dia 30 de março, no evento Tribuna Livre, organizado pela Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP), na FioCruz. A instituição, localizado na Zona Norte do Rio de Janeiro, e reconhecida internacionalmente pelo seu trabalho em pesquisas no campo da saúde, realizou o evento para afirmar o seu compromisso com a democracia brasileira diante desta tentativa de golpe.
Mesmo reafirmando a sua defesa pela democracia, as quase quatro horas de falas das entidades e movimentos presentes foram propostas também para que cada um colocasse suas avaliações sobre esses anos do governo PT: A falência do SUS; as condições das periferias; o desemprego; a promessa de uma reforma agrária que nunca aconteceu; o aumento no número de assassinatos aos indígenas e diversos outros problemas foram pontuados pelo público.
Alexandre Pessoa, professor e pesquisador na Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, Fio Cruz, colocou outras críticas tanto em relação à segurança pública, quanto às empresas que dominam o país: “As empresas comandam. As milícias continuam aumentando o seu poder de domínio nos territórios empobrecidos. Diante disto, qual o papel do Estado? Parece que ele se sustenta com essas relações de poder. Precisamos aprofundar esses debates”, falou.
De acordo com Darcilia Alves, moradora de Manguinhos, esta tentativa de golpe é uma afronta ao povo pobre por causa de algumas conquistas que esta parcela da população começou a ter depois da chegada do PT ao governo. “Este golpe é contra o nosso povo. É contra as nossas conquistas”, afirmou a moradora.
Foram aproximadamente 40 falas colocando as críticas, mas também afirmando o quanto seria um retrocesso ao país um golpe neste momento. Foi um bom debate e uma boa análise sobre os momentos atuais também, por isso, para Hermano Castro, diretor da ENSP, plenárias como estas são mais que necessárias sempre. “Todos precisam se colocar e a ideia é que a Tribuna seja permanente”, finalizou o diretor.