Basta ao Genocídio da Juventude Negra

Por Diego Santos

Por Diego Santos

Por Diego Santos

Não dá pra ficar calado diante do espetáculo glamouroso montado em torno da morte, da exclusão e do racismo destinados ao povo negro, pobre e favelado neste país. Se tiverem paciência, dê uma lida!

Vamos por partes:

1. No Jornal O Globo de hoje o editorial aponta de forma claríssima o projeto atual de apoio às remoções nas favelas. O título “Pacificação, com agenda, social, precisa ir além da UPP” rapidamente se completa com o último parágrafo: “o tabu das remoções, questão que exige do poder público coragem política para ser enfrentada.” Justificado pelo discurso da higiene já tão batido, que coloca a favela como produtor das epidemias e do lixo social das cidades. O complemento vem com uma matéria feita com os/as moradores/as removidos da Vila Autódromo, felizes com o Conjunto Habitacional, acreditem, com piscina.

2. No mesmo jornal, uma matéria aponta o perfil dos jovens das áreas “pacificadas” chamando-os de “Geração UPP” (Deus me livre!) A matéria aponta os dados de um censo problemático conduzido pelo IPP com os/as jovens das favelas, em parceria com a TIM. A matéria enfatiza o perfil dos/das jovens favelados/as: A mãe, o escritor, a sonhadora e, claro, o “Nem Nem”. “Eles querem muito mais”, finaliza a matéria.

3. O jovem DG, assassinado pela polícia no Cantagalo foi homenageado pelo programa Esquenta, do qual fazia parte do elenco. Durante todo o programa, o fato de ser um jovem negro era só um detalhe e não ponto crucial de uma questão. A bancada de opinião do programa, formada por homens e mulheres brancos utilizou todos os clichês de valorização da favela e de sua cultura. Faltaram as menções ao Mapa da Violência produzido ano passado com enfoque na Juventude, a indicação das outras mortes nas áreas com UPP (um dos presentes na bancada fez uma fala rápida) Mesmo assim, é difícil para brancos/as, formadores/as de opinião reconhecerem de cara que existe racismo. Com destaque para o depoimento de Carlinhos de Jesus, “que acredita nas instituições, na polícia” depois que viu os todos envolvidos na morte de seu irmão presos. Alguém conta pra ele que na favela isso não acontece? A linha que une as mortes nas periferias do nosso Brasil, marcadas pela cor da pele – e quando digo isso, falo do traço negro e da marca como raça, não apenas da quantidade de melanina, usada corriqueiramente para negar a marca da raça – está claramente no racismo institucional, no olhar excludente, higienizador, perpetuado há séculos em nosso país e utilizado dia após dia no mesmo programa que se utiliza de todos os estereótipos da favela e das periferias para fazer a alegria do “cidadão de bem” que assiste a TV aos domingos.

É difícil nesse país ser jovem, preto e favelado. Mas a gente segue na luta!

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