Comunidade do Horto se organiza para impedir demolições de casas na quarta-feira (9/4)

Há mais de 200 no local, comunidade pode ser removida por interesses especulativos. Há tentativa clara de criminalização dos moradores no caso da bomba 

Tratados como invasores de uma área onde vivem há mais de 200 anos, os moradores do Horto, no Jardim Botânico, se organizam para impedir a demolição de sete casas, que pode ocorrer na quarta-feira, a partir das 9h, se nada for feito. Se trata de uma comunidade que surgiu quando a Zona Sul era praticamente inabitada. Pessoas como a aposentada Nadir dos Santos Dias, de 60 anos, que vive até hoje na casa em que nasceu, que pertencia a seu pai antes dela, mas que corre o risco de ser derrubada. A situação é ainda mais absurda porque ela acabou sendo afetada pela decisão judicial desfavorável a outro morador do Horto, o aposentado Delton Luis dos Santos, de 71 anos. Ele é o único réu na ação, mas a sentença é de reintegração simultânea de todas as famílias que residem próximo a sua residência.

Sobre a explosão de bomba dentro do Jardim Botânico, ocorrida ontem (28/03), a presidente da Associação de Amigos e Moradores do Horto, Emília Souza, afirma que considera infundada a declaração da vice-diretora da Escola Nacional de Botânica Tropical, Neusa Tamaio, que tentou relacionar o caso à remoção. “Há uma tentativa clara de criminalizar os moradores, como forma de justificar essa remoção absurda. Sempre fomos pacíficos, então pode haver gente querendo sujar a nossa imagem”, disse Emília, acrescentando que considera muito estranho ninguém ter visto ou gravado quem colocou a bomba na escola. “O Solar da Imperatriz (onde funciona a escola) sempre teve um bom aparato de segurança. Um dia antes da explosão, ocorria exatamente ali uma exposição de joias. Será que fizeram o evento sem utilizar câmeras de segurança? Para mim, parece armação clara”.

Para as 621 famílias do Horto, a ordem de remoção das casas foi tomada de forma arbitrária, uma vez que um estudo da UFRJ já provou que isso não é necessário. Basta o remanejamento de 10% das residências dentro da própria comunidade para que quaisquer questões de segurança e possíveis problemas ambientais sejam resolvidos. Além disso, os próprios moradores vêm atuando há décadas na preservação da vegetação e no controle do crescimento urbano da região.

A aposentada Celeste Dias, de 75 anos, que também pode perder sua casa, confia no apoio dos demais moradores do Horto, assim como de todos os cariocas: “A nossa vida inteira foi aqui. Se você olhar essas mansões pelo Jardim Botânico, não vai encontrar nenhuma mais velha do que o Horto, mas ninguém fala em tirar elas. Agora, querem acabar com a nossas casas, as nossas vidas”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *