De que lado a mídia samba?

[Por Rafael Maieiro]

As manifestações contra o aumento das passagens, que tiveram início no dia 6 deste mês em São Paulo, foram inicialmente desmoralizadas pela grande mídia. No dia 12, o colunista das Organizações Globo, Arnaldo Jabor, declarou que “os manifestantes são como o PCC”, se referindo à facção criminosa de São Paulo. Essa declaração se tornou símbolo do posicionamento inicial do setor hegemônico dos meios de comunicação.

Foto: Pablo Vergara

No dia 13 de junho, cem mil pessoas tomaram a Avenida Rio Branco e as manifestações se fortaleciam por todo Brasil. A partir desse momento houve uma mudança no tratamento dado pela grande mídia. O mesmo Arnaldo Jabor, em sua coluna na rádio CBN, fez uma autocrítica. “Amigos, eu errei”, afirmou em rede nacional de rádio.

Mas a mudança no discurso da mídia hegemônica não foi uma simples adesão. A divisão do movimento entre “vândalos” e “manifestantes pacíficos”, conjuntamente com a valorização da pauta contra a corrupção, começou a ser construída nas matérias dos grandes órgãos da mídia brasileira. 

Na quinta-feira (20/06), um milhão de pessoas protestaram pela Avenida Presidente Vargas (RJ). Mais surpreende do que o número de pessoas foi a ação da polícia, a repressão foi além da manifestação. Bombas de lacrimogênio, gás de pimenta e agressões de todo tipo foram realizadas pela polícia em qualquer pessoa que estivesse nos arredores do Centro do Rio de Janeiro.

Os noticiários do dia seguinte não trataram da violência policial. A mídia privada manteve o foco em diferenciar os manifestantes e de reafirmar a bandeira da anticorrupção. Só no domingo (24/06) a violência policial ganhou algum espaço. O Fantástico divulgou uma pesquisa do IBOPE feita entre os manifestantes e destacou que o combate à corrupção era a bandeira preferida por eles. Mas não pode esconder os outros dados: 57% dos entrevistados apontaram a polícia como muito violenta e outros 32% acreditam que as ações contra o patrimônio público e privado são métodos justos de reivindicação.

Muita coisa está em jogo nas ruas. Há muito tempo não há notícias de mobilizações desse porte. A disputa do rumo que o movimento irá tomar está cada vez mais clara. Nesse momento vale lembrar o verso da canção: “De que lado você samba?”. De que lado a mídia samba?

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