Entrevista: Historiadora e Arquiteta Juliana Oakim fala sobre planejamento urbano

Por Eduardo Araujo, da Turma de 2013 do Curso de Comunicação Popular NPC 

O Jornal ‘Vozes das Comunidades” entrevistou a Historiadora e Arquiteta Juliana Oakim, no Instituto dos Arquitetos do Brasil IAB-RJ. Ela nos falou um pouco sobre a história da evolução urbana no Rio de Janeiro, tema sobre o qual desenvolve seu trabalho como pesquisadora do Programa de Pós-graduação em História pela Universidade Federal Fluminense. A entrevista não chegou a ser publicada no jornal por falta de espaço, mas está aqui no blog do Curso. Confira!

1 – Jornal “Vozes das Comunidades – Poderia falar um pouco sobre a História da evolução urbana no RJ?

Juliana Oakim: O Rio de Janeiro foi objeto de diversos projetos diferentes de cidade. Após se tornar capital, passou a exercer sobre o restante do território força simbólica e estética, fazendo com que esta cidade se tornasse uma espécie de microcosmo da nação, com papel de difusão da imagem país. Desta maneira, ao longo de sua história, foram diversas intervenções que marcaram e mudaram o espaço da cidade. Somente no século XX pode-se listar uma dezena de intervenções: a reforma Pereira Passos, a reforma de Carlos Sampaio, o Plano Agache, a reforma Dodsworth, o Plano Doxiadis, o Pub Rio e, a partir da década de 1990, os planos diretores e planos estratégicos da cidade.

2- JVC – O que é planejamento urbano?

Juliana Oakim: Tradicionalmente, chama-se planejamento urbano a intervenção estatal racional de direcionamento do crescimento das cidades. Este direcionamento se dá por meio de instrumentos de controle urbanístico (como índices urbanos e normas edilícias), assim como investimentos em infraestrutura, como transporte e saneamento, entre outros. No caso do Brasil, costuma-se chamar planejamento urbano às intervenções realizadas no século XX, o que não quer dizer que o Estado não intervinha na construção das cidades anteriormente. Contudo, no Rio de Janeiro da década de 1990, este tipo de planejamento sofre uma grande mudança com a entrada do planejamento estratégico. Esta maneira de pensar a gestão da cidade, que tem profunda influência do pensamento neoliberal, inverte o direcionamento do planejamento urbano, que passa a ser orientado pelo e para o mercado, em uma espécie de cidade-empresa.

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