Moradores da Vila Autódromo se manifestam contra as remoções

Por Camila de Araújo e Eric Fenelon

Ato contra remoções na Vila Autódromo. Foto: Fernanda Nagem

A Comunidade Vila Autódromo, ameaçada de despejo, realizou no dia 20 de julho um protesto contra as remoções forçadas feitas pela Prefeitura do Rio. Os manifestantes reivindicavam o direito à moradia e melhores condições na infraestrutura do bairro. A passeata seguiu da Associação de Moradores, onde foi a concentração, até a Avenida Embaixador Abelardo Bueno. O protesto reuniu moradores das comunidades do Horto, Providência, Ladeira dos Tabajaras Estradinha e Indiana, todas ameaçadas de remoção. Também estiveram presentes militantes sociais, ONGs e apoiadores da luta.

Os argumentos utilizados para a remoção da comunidade são variados e inconsistentes. A pressão aumentou ainda mais desde que o Rio de Janeiro foi escolhido para sediar a Copa e as Olimpíadas nos próximos anos. Com a justificativa de melhorar a imagem internacional, processos de revitalização e embelezamento tomam posse do espaço público da cidade e expulsam as comunidades locais. 

O ato foi organizado pela  Associação de Moradores da Vila Autódromo, que ajudou a articular os moradores e comunidades que também sofrem com as pressões. O presidente da Associação, Altair Guimarães, destacou que a remoção servirá à especulação imobiliária.

“Somos vítimas há algum tempo de ações que nos acusam de agressão estética e agressão ao meio ambiente, o que é uma covardia. Sabemos que essa Prefeitura quer nos remover para construir prédios e apartamentos para a classe média. A comunidade não está no trajeto da Transolímpica nem vai incomodar os eventos internacionais. Eu costumo chamar o atual prefeito de Robin Hood ao contrário, porque tira dos pobres para dar para os ricos”, afirma em entrevista.

Foto: Fernanda Nagem

Entre os moradores que participaram da manifestação estava dona Maria do Carmo, de 62 anos, moradora da Vila Autódromo há 40 anos. Ela diz que não vai entregar a casa dela para ninguém, “nem pro Eduardo Paes. (…) A casa é minha e eu tenho direito a ela”.

Como alternativa ao projeto apresentado pela prefeitura, os moradores da Vila Autódromo elaboraram o Plano Popular de Urbanização, com o apoio de pesquisadores, arquitetos e urbanistas de duas universidades federais (UFF e UFRJ). Entre eles, Renato Cosentino, pesquisador do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR/UFRJ) e integrante do Comitê Popular da Copa. “Esse plano mostra que é possível, com o respeito às leis ambientais, fazer a urbanização da Vila Autódromo e realizar as Olimpíadas aqui, sem a remoção. Inclusive, a urbanização é muito mais barata do que a remoção. Estamos falando de praticamente um quinto do valor. Está claríssimo que é uma remoção ligada à especulação imobiliária”, explica Cosentino. Para ele e outros militantes que vêm acompanhando as mudanças em curso no Rio, o poder público tem se posicionado a serviço dos ricos, mesmo que isso coloque em jogo a vida de milhares de pessoas.

A Associação de Moradores entregou em agosto do ano passado o Plano Popular ao prefeito Eduardo Paes. Ele garantiu retorno em 45 dias, mas até hoje não houve nenhuma resposta.

2 ideias sobre “Moradores da Vila Autódromo se manifestam contra as remoções

  1. MELISSA

    Esse governo de Eduardo Paes é uma vergonha. Não tem necessidade nenhuma de tirar aquelas pessoas de suas casas. Isso é porque ele é um desumano sem caráter, sacaneando a população mais pobre, favorecendo a classe rica. Não merece o poder que lhe foi dado.

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  2. Pingback: Aula de 20 de julho de 2013 – Curso de Comunicação Popular | Vozes das Comunidades

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