Parem as remoções: Vila Autódromo e comunidades do Rio juntas na luta contra as remoções

Por Francilene do Carmo Cardoso

Desde junho desse ano vimos assistindo um boom de atos e manifestações que demonstram a impossibilidade de resolver os problemas do país na sociedade capitalista. Há quinhentos anos a forma de desenvolvimento da sociedade brasileira se fundamenta na garantia dos interesses privados em detrimento dos interesses da maioria da população, tendo o Estado um papel de gotejador das demandas populares.
O exemplo da moradia é ilustrativo. O que é um direito vem sendo tratado pelos governantes como mercadoria. No Rio de Janeiro diversos moradores de comunidades que historicamente lutaram e tiveram ou não a concessão do Estado para permanecer nos seus locais de moradia estão sendo cada vez mais violados no seu direito quando estão sendo removidos.

O caso da Vila Autódromo é emblemático. Localizada na Zona Oeste da cidade, a vila foi ocupada desde a década de 80. Após muita luta, em 1990 os moradores receberam o título de posse do governo para morar lá por 90 anos. Mas durante os últimos 40 anos vêm sofrendo constantes ameaças de remoção à medida que o capital imobiliário acelera seus investimentos naquela região. Por essa razão, a Associação de Moradores, juntamente com outros movimentos de favelas, se uniram no último dia 20 de julho em mais um dos muitos atos desses últimos meses na luta contra as remoções na cidade do Rio de Janeiro.

Mídia trata moradores como invasores e esconde especulação imobiliária

A pauta principal foi contra as remoções forçadas e pelo direito à moradia. Mas também contra o império da grande mídia burguesa, a Rede Globo de Televisão, que apresenta os moradores como invasores de área ambiental. “Nós ocupamos o espaço que sobra, área de lagoa ou de rio é isso que sobre para o pobre”, critica o presidente da associação dos moradores da Vila Autódromo, Altair Guimarães. “Já fui removido duas vezes e a Globo nunca acordou pra isso. Só coloca a gente como invasor”, disse. Segundo ele, a Rede Globo deveria tomar posição do povo e não do governo.


Segundo Altair, 75% da área da Vila Autódromo está destinada à especulação imobiliária para construção de casas e apartamentos para a classe média. Isso traz lucri para as empreiteiras, como a Odebrecht.

Pelo Condomínio dos removidos: Eduardo Paes vem morar aqui!

O percurso dos manifestantes passou pela Arena HSBC, pela comunidade Asa Branca, também ameaçada de remoção e área de milícia, e pelo Projac, da Rede Globo. A parada final foi em frente ao “condomínio dos removidos” ou, como é chamado pela prefeitura, Parque Carioca, também na Zona Oeste. É um projeto habitacional do Morar Carioca que pretende reassentar não apenas os moradores da Vila, mas também outros moradores de outras comunidades que estão sendo ameaçados de remoção.

Altair reclama que os apartamentos do Morar Carioca oferecidos pela prefeitura são “caixas de fósforos”, de tão pequenos, e construídos em apenas três meses. “Vocês viram nos jornais que um monte de apartamentos do Morro do Bumba [em Niterói] foi para o chão. Em Nova Iguaçu também está tudo rachado. Foram construídos por empreiteiras que encheram o bolso de dinheiro em três meses. Elas colocam um grado no chão, depois colocam uns pinos e um pré-moldado. Tudo isso porque não é a família deles que vem morar aqui”, afirma.

O ato reuniu diversas comunidades ameaçadas de remoção nesse projeto de cidade para capital tomado a cabo pelo prefeito Eduardo Paes. Havia representantes das comunidades da Indiana (Zona Norte), Babilônia, Pavão Pavãozinho, Cantagalo, Horto (Zona Sul) e da ocupação Manoel Congo (Centro).

O momento que estamos vivendo ajuda a dar visibilidade à luta pela moradia, que vem sendo historicamente atacado de governo a governo. Os movimentos sociais de luta pela moradia, juntos, vêm reafirmar a luta por esse direito humano básico que é a moradia, mas também luta por uma transformação radical dessa sociedade que concebe moradia como mercadoria. É a hora dos movimentos sociais em luta pela moradia aproveitarem essa a possibilidade para criar e fortalecer toda forma de sociabilidade para além dessa ordem.

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