População do Rio sofre com qualidade do transporte público

Manifestações de junho começaram com a defesa da redução do preço das passagens

Por: Fernanda Nagem e Mariana Rio

Em junho, o Rio e outras cidades presenciaram algumas das maiores mobilizações populares da história recente do país. Os atos levaram milhões de pessoas às ruas em defesa da saúde, educação, democratização da mídia etc. O estopim foi a Luta pela redução da Tarifa no Transporte Público.

O cenário é bem parecido na maioria das cidades brasileiras. Ônibus, metrô e trem cheios. Brigas, empurra-empurra, assédio às mulheres e duas ou até mais horas para se chegar ao local de trabalho. Há ainda as péssimas condições de trabalho de motoristas e trocadores.

Diversos fatores explicam esse caos do sistema de transporte. Por um lado, o descaso do poder público, e, por outro, os interesses das grandes empresas concessionárias de transporte que faturam milhões em licitações, em alguns casos fraudulentas. O Estado não fiscaliza e não controla, as empresas fazem o que as beneficia e quem sofre é a população, que paga caro por um péssimo serviço.

CPI e a máfia do transporte público

É cada vez mais conhecida a ligação entre parlamentares e donos de empresas de ônibus. Parte do financiamento da campanha eleitoral de partidos como o PSDB, PT, PCdoB, DEM, PMDB e PSB é doação de proprietários dessas empresas. Esse fato explica a falta de interesse de alguns políticos em cobrar melhorias para o setor. No Rio, quem controla o transporte público é a família Barata, segundo um estudo da Cooperativa EITA e do Instituto Mais Democracia.

A proximidade entre partidos e empresas também tem provocado mobilizações. Em agosto, o Rio foi sacudido com a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Ônibus. Ela foi criada para investigar as irregularidades e a falta de transparência nos contratos assinados entre o município e as empresas de ônibus da cidade.

Câmara ocupada

A CPI mobilizou a população. Durante semanas manifestantes ocuparam a Câmara dos Vereadores. Eles exigiam mudanças na comissão, como a saída de Chiquinho Brazão (PMDB) da presidência por ser do partido investigado. Também queriam que o presidente da CPI fosse Eliomar Coelho (Psol), o vereador que a solicitou, e que só participem aqueles que votaram a favor da instalação.

Perto do fechamento dessa reportagem, Eliomar Coelho anunciou que ia deixar o grupo por não concordar com sua composição. Segundo ele, a primeira audiência mostrou que os outros membros não têm compromisso com a CPI. Para ele, o secretário de Transportes fez apenas uma palestra, e não foi questionado.

 

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