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Mulheres: uma luta que deve ser diária

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Apresentação do Teatro do Oprimido no calçadão de Campo Grande (Foto: Gizele Martins)

Por Gizele Martins

Com teatro, música, panfletagem e muita emoção foi realizado o ato ‘Pelo Dia Internacional da Mulher’, na manhã do dia 12 de março, no calçadão de Campo Grande. Aproximadamente 40 mulheres estiveram presentes, sem contar nas que passavam pelo local e paravam para ouvir, participar e ver a encenação feita pelo Teatro do Oprimido 12, do Conjunto de Favelas da Maré.

A organização do ato foi feita pelas mulheres que fazem parte do Instituto de Formação Humana e Educação Popular (Iphep), de Campo Grande. Ecleuteria Amora da Silva, umas das participantes da Camtra, foi uma das apoiadoras. Para ela, realizar um ato como este e no calçadão foi muito importante para a luta e defesa das mulheres trabalhadoras. “É importantíssimo que a gente ocupe todos os espaços. A gente deve levar sempre informações em defesa das mulheres. Além disso, temos que combater sempre a violência cometida às mulheres trabalhadoras”, disse.

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Ato pelo Dia Internacional das Mulheres no calçadão de Campo Grande (Foto: Gizele Martins)

Durante toda a manhã, diversas mulheres colocaram as suas vozes no microfone que ficou aberto para quem quisesse falar. Em algumas das falas apareciam também a forma de como as mulheres mais novas são tratadas por causa da roupa que vestem. Apareceram relatos ainda de que muitas são impedidas de saírem tarde da noite por causa do machismo, pois existe um medo de que possam ser violentadas, estupradas e difamadas por causa do timo de roupa.

Outra abordagem, foi sobre as mulheres idosas, pois quando chegam nesta idade, muitas delas sofrem de depressão, sofrem a solidão, sofrem também por serem maltratadas em serviços públicos quando vão buscar atendimentos.

Ou seja, em qualquer idade as mulheres sofrem apenas pelo fato de terem nascido mulheres. Por isso, a importância de que mais mulheres falem de si, encorajam outras, coloquem suas opiniões e denúncias contra o machismo. Atos, debates, teatros e músicas sobre o tema das mulheres devem ser sempre colocados em todos os espaços, dentro das universidades e, principalmente, nas ruas. Este é um debate que deve ser sempre lembrando para além do ‘Dia Internacional das Mulheres’.

Mexicanos e moradores da Maré somam forças contra a violência de Estado

Por Carolina Vaz e Miriane Peregrino 

 

Em 26 de setembro do ano passado, 80 estudantes mexicanos viajavam de ônibus para coletar fundos para sua escola, a Escola Normal Rural Raúl Isidro Burgos. Isso aconteceu na região de Ayotzinapa, estado de Guerrero, México. No caminho, o ônibus foi atacado a tiros por policiais militares. Mais tarde os mesmos jovens foram baleados por homens sem uniforme, enquanto davam entrevista. Entre mortos, feridos e desaparecidos, até hoje famílias e amigos procuram 43 estudantes dos quais não sabem o paradeiro. Eles denunciam que o Estado mexicano não investiga o caso seriamente, apresentado versões que não condizem, mas seguem cobrando respostas.

 

Familiares dos desaparecidos formam a Caravana 43 Sudamérica, que visita cidades da América do Sul para falar sobre o caso. Na última quarta-feira, 10 de junho, três familiares e um colega dos jovens passaram o dia no conjunto de favelas da Maré. Na parte da manhã, o grupo visitou o Centro de Cultura Popular Ypiranga de Pastinha, importante local de luta e referência da capoeira de Angola, e as casas de famílias vítimas de violência do Estado. Conheceram mães que perderam seus filhos nas mãos de polícia, exército ou milícia.

Caravana 43 Sudamérica caminha pelas favelas da Maré. Foto: Miriane Peregrino

Caravana 43 Sudamérica caminha pelas favelas da Maré. Foto: Miriane Peregrino

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Mandela recebe seu primeiro Mega Feirão do Brás

Por Carolina Vaz

Moradores que passavam por perto decidiam parar e conferir a feira. Foto: Miriane Peregrino.

Moradores que passavam por perto decidiam parar e conferir a feira. Foto: Miriane Peregrino.

Nos dias 15, 16 e 17 de maio, a favela do Mandela recebeu, pela primeira vez, o Mega Feirão do Brás. Moradores puderam conferir diferentes peças de roupas vindas diretamente de São Paulo, além de tênis, bijuterias e eletrônicos. Brás é um bairro de São Paulo conhecido pelo baixo preço das confecções, e sempre recebe lojistas de outras partes do país que compram para revender. Para o Mandela, favela do Complexo de Manguinhos, vieram vendedores de lá, e as peças mais expostas eram as próprias do outono e do inverno: calças, camisetas, meias, casacos de diversos modelos. Os preços estavam bons: era possível comprar calça jeans feminina por 50 reais e casacos por 30.

 A maioria das peças à venda eram roupas para o outono/inverno. Foto: Miriane Peregrino.

A maioria das peças à venda eram roupas para o outono/inverno. Foto: Miriane Peregrino.

Antonio Martins, um dos organizadores da feira, é morador de Belford Roxo. Ele contou que a feira é itinerante, e em cada final de semana está em um bairro do Rio, mas nem sempre com os mesmos vendedores. São os comerciantes organizados para esse tipo de atividade que, lá em São Paulo, analisam o bairro da próxima vez e decidem quem vai. Para levar a feira itinerante ao Mandela, ele conversou com a associação de moradores, que providenciou o local: um espaço vazio em frente à região conhecida como Mandela 2, na divisa com Manguinhos. A divulgação ficou por conta de faixas espalhadas pela favela e carros de som, que fazem parte da preparação para que, no final de semana, todo mundo saiba do evento. Segundo ele, a recepção foi boa no Mandela: “Foi bacana. Gostaram muito e querem que volte”, contou.

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