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Filme sobre comunidade São José Operário é lançado na Escola Padre Butinhá

Por Miguel Pinho

Foto após a exibição do filme

Foto após a exibição do filme

No dia 23/04, no finzinho da tarde, a escola Padre Butinhá recebeu a première do filme Irmão do Morro. O filme fala sobre a história da favela São José Operário, que fica na Praça Seca, através da ótica de seus moradores. O documentário foi produzido por alunos da turma de comunicação popular do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC) de 2015 e dirigido por Bruno Lima, morador da comunidade e também aluno do curso.

Na história aparece com destaque um importante personagem da comunidade, o Padre Frank. O religioso ajudou na organização da comunidade nas reivindicações por luz, água e saneamento básico.  E este é um dos aspectos importantes do filme, que é mostrar a luta dos moradores de São José Operário por dignidade.

Para Bruno Lima, a oportunidade de fazer o filme veio através do NPC para contar a história de vida das pessoas que residiam e residem na comunidade. E mesmo com as lutas da comunidade por seus direitos, ainda hoje a São José Operário enfrenta problemas. “Ainda hoje a gente sofre como há 30 anos com a falta d’água. Você vê pessoas tendo que colocar lata d’água na cabeça para levar água potável para dentro da sua casa.”

O filme é importante como registro histórico. Também mostrar o que existe na comunidade para além da violência e da precariedade, ou seja, que lá existem pessoas sonhando e lutando por um vida melhor. Para o diretor, “as pessoas sabem que o morro é uma área de instabilidade social, extremamente violenta, e no filme a gente mostra que não é só isso, lá também tem moradores trabalhadores. Eles (os moradores) com certeza vão receber bem o filme e vão gostar bastante porque conta um pouco da história deles. Vai ser uma grande festa, porque tudo no São José termina numa grande festa.”

Confira o trailer do Irmão do Morro:

‘Democracia’ é tema de plenária da ENSP, na Fiocruz

12974436_1690936981194078_6551565633506797112_nPor Gizele Martins

Inúmeros movimentos sociais, partidos políticos de esquerda, professores e diretores de universidades e entidades de classe, estiveram presentes na manhã do dia 30 de março, no evento Tribuna Livre, organizado pela Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP), na FioCruz. A instituição, localizado na Zona Norte do Rio de Janeiro, e reconhecida internacionalmente pelo seu trabalho em pesquisas no campo da saúde, realizou o evento para afirmar o seu compromisso com a democracia brasileira diante desta tentativa de golpe.
Mesmo reafirmando a sua defesa pela democracia, as quase quatro horas de falas das entidades e movimentos presentes foram propostas também para que cada um colocasse suas avaliações sobre esses anos do governo PT: A falência do SUS; as condições das periferias; o desemprego; a promessa de uma reforma agrária que nunca aconteceu; o aumento no número de assassinatos aos indígenas e diversos outros problemas foram pontuados pelo público.
Alexandre Pessoa, professor e pesquisador na Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, Fio Cruz, colocou outras críticas tanto em relação à segurança pública, quanto às empresas que dominam o país: “As empresas comandam. As milícias continuam aumentando o seu poder de domínio nos territórios empobrecidos. Diante disto, qual o papel do Estado? Parece que ele se sustenta com essas relações de poder. Precisamos aprofundar esses debates”, falou.
De acordo com Darcilia Alves, moradora de Manguinhos, esta tentativa de golpe é uma afronta ao povo pobre por causa de algumas conquistas que esta parcela da população começou a ter depois da chegada do PT ao governo. “Este golpe é contra o nosso povo. É contra as nossas conquistas”, afirmou a moradora.
Foram aproximadamente 40 falas colocando as críticas, mas também afirmando o quanto seria um retrocesso ao país um golpe neste momento. Foi um bom debate e uma boa análise sobre os momentos atuais também, por isso, para Hermano Castro, diretor da ENSP, plenárias como estas são mais que necessárias sempre. “Todos precisam se colocar e a ideia é que a Tribuna seja permanente”, finalizou o diretor.

Protesto contra o genocídio da juventude negra

Ato Madureira Rafael Daguerre

Legenda: Ato em Madureira Foto: Rafael Daguerre

Por Gizele Martins

Mais de mil pessoas participaram do ato ‘Contra o Genocídio da Juventude Negra’, realizado na tarde desta quinta, 3 de dezembro, no Parque de Madureira, Zona Norte do Rio de Janeiro. A manifestação foi convocada com o objetivo de lembrar o que ocorreu no último sábado, dia 28, quando cinco jovens foram assassinadosdentro de um carro pela Polícia Militar, em Costa Barros.

Cartazes, músicas, frases e falas marcaram o ato que percorreu algumas ruas movimentadas de Madureira. Inúmeras pessoas que passavam paravam e ouviam as mensagens de revolta contra as mortes e de solidariedade aos familiares das vítimas.

Nesta sexta, 4 de dezembro, às 17h, outra manifestação será realizada para lembrar o caso. Esta manifestação também está sendo convocada pela internet e será realizada no Palácio Guanabara.

Bruno Rico, estudante de publicidade e morador do bairro, disse que a passeata de ontem foi organizada de forma independente, totalmente apartidária, desvinculada de qualquer movimento. “Apenas criei o evento e vieram outras pessoas se colocando, se mobilizando, se organizando”.

“A mensagem que a gente quer passar é que cinco jovens morreram e que jovens negros, pobres e favelados têm morrido todos os dias”, disse Bruno.

Rachel Barros, militante do Fórum Social de Manguinhos e participante da organização Fase, disse que é preciso que a sociedade veja que meninos negros têm morrido todos os dias por causa de um racismo que se faz presente no dia a dia.

“Queremos dar o grito nesta cidade, a gente está vendo a cada dia, a cada mês jovens morrendo, desaparecendo. O mundo legitima essa política.  O racismo culpa os negros por todas as mazelas sociais e isso tem que acabar.  Espero que este seja um período intenso de mobilização da juventude negra contra as mortes e a militarização da vida”, disse Rachel.

Extermínio diário

Para Sidney Teles, da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado Rio de Janeiro (Alerj), é preciso chamar atenção para o que tem acontecido com a juventude pobre, negra e favelada. “Precisamos saber como vai ser tratada a juventude nesse tema da segurança. Neste caso, foram 111 tiros disparados contra essas crianças. Lembrando que 111 foi o número de mortos no Carandiru. A gente não pode mais se calar, a gente tem que partir pra cima e disputar o poder e fazer dele uma política que preserve a vida dos nossos jovens, porque estamos sendo exterminados diariamente, mas ainda estamos calados.”

Margarida Prado, da Comissão de Direitos Humanos da OAB, também esteve presente e disse estar feliz não pela pauta, mas por ver inúmeros jovens da periferia presentes na manifestação. “Estou feliz e emocionada por estar aqui hoje, porque a maior força que a gente tem são as pessoas comuns. Elas saíram de suas casas para dizer que não querem mais assassinatos de jovens negros. Não querem mais violações de direitos cometidos pelo Estado, sendo estes os maiores violadores de direitos desta juventude.”, concluiu.

Mapa da violência

O Mapa da Violência de 2014aponta que, no Brasil, são os jovens negros, especialmenteos das periferias, as principais vítimas da violência policial no país. A cada 10 mortos, sete são negros, o que comprova que o que ocorreu com os cinco jovens em Costa Barros não se trata de um caso isolado.

Matéria publicada na AdUFRJ: http://www.adufrj.org.br/…/3111-manifestantes-protestam-con…