Visita ao Santa Marta mostra a importância da comunicação popular

Por Alinne Kristine de França e Ramon Vellasco

Alunos do Curso de Comunicação Popular em visita ao Santa Marta

No dia 03 de agosto do ano 2013, o curso de Comunicação Popular, oferecido pelo Núcleo Piratininga de Comunicação, visitou a favela Santa Marta, em Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro. Tivemos uma conversa com o Repper Fiell e outros moradores, que junto a ele lutam por um espaço mais democrático e nos mostraram os problemas enfrentados pelos moradores diariamente.

Na conversa demos um foco maior nos meios de comunicação popular existentes no local e como estão suas atividades após a instalação da UPP. O repper foi um dos criadores da Rádio Santa Marta, uma rádio comunitária que funcionava sem fins lucrativos, dava notícias sobre os problemas internos da favela, além de criar uma programação cultural diversa. Ela funcionou durante 8 meses até que no dia 03/05/2011 (Dia mundial da liberdade de imprensa), a polícia federal e a ANATEL apreenderam o transmissor e, consequentemente a rádio foi fechada. Entretanto, o espaço cultural em que ela funcionava o Visão Favela Brasil continua aberto para os moradores.

Mesmo com a rádio fechada há dois anos, o espaço Visão Favela Brasil permanece lutando entre os 788 degraus da favela. Aberto aos moradores como um ponto de encontro onde podem conversar, ler livros e revistas, servindo como uma biblioteca popular, discutir e pensar em ações para a melhoria do convívio entre os moradores e principalmente um espaço de lazer para as crianças, dando a elas oportunidades de aprender e criar uma nova visão sobre como agir e pensar a rua. Infelizmente, segundo Fiell, ainda são poucos os que frequentam, pois ainda existe o medo da opressão da UPP e não há o costume de desligar a TV ou abandonar o individualismo para pensar em coletivo.

O meio de comunicação popular é muito precário e possui pouca visibilidade, diferente da mídia comercial que continua tendo maior aceitação e distribuição do público, visto que no morro Santa Marta ocorre o mesmo. Por esses motivos a rádio comunitária e outros meios de comunicação popular e atividades culturais não deram certo, pois necessitavam de mais apoio e não possuíam legalização para fazer funcionar suas redes de informação. Tendo as enormes dificuldades burocráticas, além de uma grande parte dos moradores não estar presente ou não defender tais espaços e ideias.

Mas não é só por conta da burocracia e a falta de apoio dos moradores que a cultura e os meios de comunicação popular sentem dificuldades de permanecerem vivos. Principalmente após a instalação da UPP no morro Santa Marta, os eventos culturais ou até mesmo uma festa familiar, a rádio e outros coletivos passaram a ter maiores dificuldades de realizar alguma atividade. A ação dos policiais tem sido muito mais do que proteger; para realizar uma festa é necessário ter da UPP uma permissão, que se consegue depois de alguma burocracia, e mesmo assim você ainda é vigiado e possui horário para começar e terminar sua programação. A polícia passa a ter um papel muito mais além do que proteger e influencia nas decisões do que deve acontecer na favela, já que não é de interesse deles que os moradores tenham informação e lutem por seus direitos.

Entretanto é com a movimentação e o apoio popular que a cultura da favela e dos meios de comunicação sobreviverá no morro Santa Marta, pois é com a articulação dos moradores e coletivos existentes na favela que eles terão mais liberdade e democracia; já que são estes que conhecem e convivem diariamente com seus problemas e necessidades.

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